segunda-feira, 30 de novembro de 2015

A pirraça

Quando criança eu nunca fiz pirraça. Segundo minha mãe e meus irmãos, eu nunca dei trabalho. Nunca contestei e sempre aceitei o que era me dado, reservado. Eu não sei o que mudou.

Ao chegar na vida adulta me apossei de um espírito pirracento. Que cisma que quer algo e tem que ser, tem que acontecer e tem que ser agora.

Eu não gosto desse ser. Não queria ser assim, pois não dá certo. O confronto com a lógica me destrói, me machuca, me deixa exposta a situações que se não são vexatórias são no mínino incômodas não só a mim, mas a quem me cerca.

Queria muito voltar ao ponto exato em que deixei de ser a criança compreensiva e me  tornei o adulto besta que sou hoje. Que opta pelo sofrimento ao viver lógico. Eu não sei como foi, mas queria muito parar. Talvez falte um pouco mais de força de vontade, eu realmente não sei.

Só sei que não gosto do que sou hoje. E sei que muita gente também não gosta. Queria me amar mais, ser mais positiva em relação a mim, ser feliz. Como é difícil isso, ser feliz.

Talvez hoje eu esteja no que chamamos de fundo do poço. É horrível, mas ao mesmo tempo é bom, pois você descobre que não tem mais pra onde descer então só nos resta subir ou aceitar o fundo e se afogar. Eu gostaria de subir e vou buscar a subida.

É o que vou fazer. Subir e respirar.

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